Obrigado e parabéns.

O tempo apaga ou clarifica quanto esmorece ou confirma e, no entanto, no seu jogo só temos o agora - injusto termo de solidão porquanto de todas elas esta a mais acompanhada. Que é feito duma ideia de há oito anos - a dar palco às vossas paixões? As vossas, as que queríamos também nossas. Quanto cresceu?!

Éramos amigos há oito anos, em verdade há muitos mais - todavia, balizemos estes oito anos uma vez que duma conversa no Verão promitente daquele Funchal de Agosto sonhámos o além da realidade a que chamámos Buzico, nome duma geografia de afectos.

Sabíamos o quanto a inventiva e o talento eram pontos cardeais duma rota que nos fez dela seus barcos no acaso da vida quando nos cais académico nada o prediria. Em oito anos acontece muita coisa mas sobretudo o tempo e o seu modo. Há escolhos - é um facto mas depois há tudo o resto: o rosto daqueles cuja inventiva e cujo talento puseram tons claros na realidade rara da realidade que ultrapassa o sonho pregresso.

Ficar é por vezes o sortilégio da viagem. E ainda que não saibamos recordar com detalhe aquela conversa, permanece o seu aroma, o seu tom e o mesmo modo esperançoso daqueles dias que mediaram entre a semente e o seu envaso florir. Porém, sabemos de cor os nomes de todos para quem temos sido com imperfeições e aplausos a plateia do seu imenso palco.

Mas hoje somos ainda mais amigos porque a ideia veio do tempo e ao tempo a lançámos. E porque sempre aquém dela sempre lhe fomos maiores - paradoxo coerente de quem ousa. E quando nos propusemos a dar, sinceramente, nunca esperámos receber tanto de tantos. Por isso hoje dizemos: Ai do sonho que não sonhe a realidade!

Na realidade mentimos se dissermos que temos a noção do tempo e do seu modo. Vendo bem, somos, ainda e sempre, aquele Agosto promitente daquele verão de tão bons augúrios. Mas mentiríamos igualmente se disséssemos que deste palco não lográmos voos altos.

Pouco importa que seja inverosímil voar, assim como é irrelevante saber que a realidade inultrapassa o sonho; importa apenas saber que na realidade voamos. De todas as certezas escolhemos a mais incerta, de todas as gratidões escolhemos a mais improvável. Mas se no meio do mar foi possível esta ilha é porque sem o saber já era do vosso arquipélago.

Obrigado e parabéns.

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