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«O que me falta fazer é cinema»

FILIPE ALBUQUERQUEA sua versatilidade tem-lhe valido ser presença assídua nos espetáculos de Filipe La Féria, mas não só. Fez uma participação especial na telenovela Ouro Verde, em exibição na TVI, e no início do ano mostrou que também é um ator dramático em Alice - O Outro Lado da História. A caminho dos 32 anos, Filipe Albuquerque canta, dança e representa, mas é também garante de uma boa conversa e de uma boa gargalhada.

 

 

 

Estás em cena no Casino Estoril com o espetáculo A volta ao mundo em 80 minutos, de Filipe La Féria. Como é que tem corrido a experiência?

Estamos em cena há um mês. Tem sido incrível. É muito cansativo porque eu e o João Baião estamos praticamente sempre em cena. O público tem respondido muito bem. As pessoas adoram o espetáculo. Tem muito ritmo, está sempre alguma coisa a acontecer em cena e fora de cena. E acho que os espectadores saem muito, muito contentes e é para isso que nós lá estamos. Os espetáculos que o Filipe [La Féria] tem feito no Casino são de puro entretenimento, e por isso é bom ver que as pessoas saem de lá contentes.

 

E tu, também sais contente?

Eu saio de lá contente! Esgotado, mas contente. [risos]

 

Durante quanto tempo é que está previsto estares em cena neste projeto?

A perspetiva será até dezembro, mas era bom que ficasse um pouco mais, mas logo se vê.

 

O trabalho com o Filipe La Féria não é uma novidade para ti.

Não, de todo. Já trabalho com ele há dez anos. Mas sempre intercalado com algumas pausas para outros projetos, em alturas que me apetecia mudar, aprender, fazer coisas novas. Nos últimos anos de trabalho com o Filipe [La Féria] acabei por me tornar assistente de encenação dele, que é como se fosse assistente de tudo. Mas é uma experiência nova e é ótimo porque ele é um museu de teatro ambulante [risos]. O que mais me fascina nele é a capacidade que tem de absorver e manter informação. Este último ano aprendi muito, é quase como se estivesse a tirar um curso superior... mas sem pagar propinas. [risos]

 

Paralelamente ao musical que está em cena no Casino Estoril, tiveste uma participação em Ouro Verde, na TVI. Como é surgiu essa oportunidade?

Foi de um dia para o outro. Ligaram-me a dizer que me iam propor para fazer umas cenas na semana seguinte. O tempo passou e não me ligaram. Pensei que não tinha ficado. Entretanto, no limite do prazo, à noite, telefonaram-me a dizer que estevam a aguardar um okay e a perguntar se eu estaria disponível para ir gravar no dia seguinte. E acabei por ir. Mandaram-me o texto de 10 cenas e eu fui.

 

E foi algo que te surpreendeu, não é assim?

Sim, porque inicialmente eram, no máximo, dois ou três dias de gravações, mas acabei a fazer mais uns quantos. Só não fiz mais porque entretanto começava o musical no Casino porque, se pudesse, acho que ficava até ao final.

 

E como é que foi que correu?

Foi ótimo. Já não fazia televisão há sete anos... é muito tempo. O que tinha feito era uma temporada de verão dos Morangos Com Açúcar [TVI] e, na altura, a experiência não foi tão boa porque eu estava a fazer outro musical à noite. Ou seja: gravava das 8h da manhã às 20h, ia para o teatro e saía de lá à uma da madrugada. E foi este ritmo assim durante três meses. Andava tipo zombie. No final do projeto, o diretor de atores veio falar comigo e disse "tu sobreviveste, ficaste à tona, não foi mau nem foi incrível". [risos] A verdade é que aquilo me ficou na memória. Eu trabalho para ser bom ou acima de bom. Quero que se lembrem de mim pelo meu trabalho. Quando nos dizem que sobrevivemos é desmotivante. Aquilo ficou comigo durante sete anos, até agora. Eu queria voltar a fazer, mas queria ir podendo mostrar que conseguia fazer melhor.

 

E foi o que aconteceu. Sete anos depois voltaste e correu bem.

Sim, correu bem e eu senti-me bem. Para quem está habituado a fazer teatro desde sempre, a televisão é estranha. Tem montes de condicionantes que o teatro não tem. A televisão tem muita técnica, que eu não tenho. Eu aprendi a ser ator fazendo teatro, a ver os meus colegas e a ver muitos espetáculos. Não sabia que o trabalho em televisão era tão técnico. É chegar, dizer o texto, tentar fazer o melhor e pronto: já está. Quanto muito ensaia-se uma vez ou duas. Mas dá grande ritmo e estaleca e isso é bom.

 

Gostavas de fazer mais televisão?

Gostava! Gostava de fazer uma sitcom que em Portugal não há nem se costumam fazer. Mas acho que tem tudo a ver comigo.

 

O trabalho em Ouro Verde (TVI) surge muito perto de um projeto em que também estiveste envolvido que foi o Alice - O Outro Lado da História. Um registo muito diferente do que o que tinhas feito até então.

Exatamente. Sempre fiz teatro dito comercial, para grandes massas.

 

E sempre com uma forte componente musical, não é?

Sim, sim, sem dúvida. O Alice surgiu também de um dia para o outro e foi surpreendente. Tinha havido uma baixa no elenco, a estreia era dali a duas semanas e convidaram-me para ir. E eu aceitei logo. Estava numa daquelas fases em que sentia que precisava de fazer algo diferente. Só depois é que percebi no que me estava a meter. Segui o meu instinto e o encenador, João Ascenso, apoiou o meu trabalho e guiou-me. Senti que tinha espaço para fazer o meu trabalho de construção apesar de só ter duas semanas. E sei que surpreendi algumas pessoas que não esperavam ver-me naquele registo. E foi bom para mim perceber que consegui fazer outras coisas.

 

Precisavas disso naquela altura?

Precisava. Precisava de perceber que podia seguir outras fórmulas e outros caminhos. Estava sem nenhum projeto em cena à noite e sentia que me faltava alguma coisa. E todo o projeto foi ótimo! Eu só estou bem e completo e satisfeito se estiver a trabalhar. Não me importo de fazer temporadas de duas peças ao mesmo tempo: de manhã, à tarde e à noite. Não me importo, sinto-me bem.

 

O teu percurso artístico começou pela dança. Que lugar é que essa arte ocupa, hoje em dia, na tua vida?

A dança ocupa um lugar muito especial. A verdade é que sempre tive uma relação amor-ódio com a dança. Comecei a dançar por acidente. Não queria ser bailarino, queria ser cantor. Depois apareceu a dança por acaso, depois de umas aulas de danças africanas de amigos. E percebi que podia ser aquele o meu caminho. Fui para o Conservatório e acabei por formar um sonho de vida que passava pela dança. Mas lesionei-me e decidi que nunca mais ia dançar.

 

Hoje em dia, já fizeste as pazes com a dança?

Sim, já fiz. Já estou resolvido. Quando vejo um espetáculo muito bom de dança ainda fico com pena e com aquela sensação de que podia ser eu, mas isso passa. Eu estou feliz onde estou e com quem sou. A dança ajuda-me muito como ator. Eu considero-me um ator físico. Como a minha base é a dança, consigo perceber qual é a importância do meu corpo. É também por isso que adoro teatro musical, porque posso dançar.

 

E cantar.

E cantar!

 

Olhando agora para o teu futuro: já sabemos que vais continuar em cena cm o espetáculo A volta ao mundo em 80 minutos, mas tirando isso, o que é que esperas que os próximos meses te reservem?

Trabalho. Espero que tenha trabalho. Poder estar na minha área e fazer aquilo que gosto já é incrível. Eu não tenho preconceitos sobre os diferentes géneros de teatro e não me importo de experimentar tudo. Acho que só depois de conhecer bem cada género é que poderei perceber o que gosto, o que prefiro fazer.

 

A verdade é que neste percurso tens feito muitos géneros.

Sim, muitos... Agora o que me falta fazer é cinema.

 

É esse o teu objetivo?

Gostava muito de perceber como se faz e de observar para aprender. Claro que tenho sempre aquele medo que é: e se eu não for bom, e se eu não fizer isto bem? Porque coloco em mim a pressão de fazer bem à primeira, apesar de saber que é um bocadinho impossível, mas é a pressão que o Filipe [La Féria] também coloca sobre nós.

 

 

E este Filipe Albuquerque, quem é?

Este Filipe também é um bocado assim. Quer fazer tudo bem logo. Mas há aquele ditado que diz que depressa e bem não faz ninguém. Mas hoje em dia há aquela pressão porque existe muita gente e muita gente boa. E, como artistas, queremos apresentar o nosso melhor trabalho. Quando nos sentamos numa sala de espetáculos não queremos saber dos problemas dos atores ou dos bailarinos, não é? Queremos que faça o melhor trabalho e se não o fizer, vamos criticar. Por isso, como atores, também acabamos por colocar sobre nós essa pressão. E enquanto diretor de cena, que agora também sou, estou sempre a dizer que temos de puxar por nós e pelos outros. Mesmo os mais novos, que já não é o meu caso... [risos]

 

Que idade tens?

Vou fazer 32 anos em setembro.

 

Mas ainda te sentes um miúdo?

Não sinto nada que tenho a idade que tenho. Por um lado acho que sempre fui mais adulto do que a minha idade. Por outro lado, sofro um bocado do síndrome do Peter Pan e acho que continuo a ser um bocado criança. E quero manter esse lado, quero guardar isso para sempre. [risos] E hoje em dia já estou na fase em que fico espantado quando reparo que há uma nova geração de artistas com 22, 23 ou 24 anos. É estranho, mas engraçado, e sinto-me na obrigação de ser um bocadinho professor. Estou sempre a dizer a toda a gente que temos de puxar por eles. Acho que esta nova geração é muito talentosa, mas queixam-se um bocadinho e são um bocadinho preguiçosos. Chamo-lhes os macerados. [risos] Mas eu gosto muito e passo-lhes isso. É uma bênção isto de se fazer o que se gosta! 

 

 

Agradecimentos: Village Underground Lisboa

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

 

 

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