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«Quero muito mais»

 

RÚBEN PÊRO. Podia ter sido designer, mas é ator. Tem a energia característica dos 23 anos e o brilho nos olhos de quem está a viver o que mais desejava. Com experiência em teatro, cinema e publicidade, Rúben integra pela primeira vez um projeto de ficção em televisão. Além disso, está no último ano do Conservatório. Não tem medo de diretas e confessa-se grato por tudo o que a vida já lhe deu.

 

Como é que está a ser a experiência de participar em Ouro Verde (TVI)?

É a minha primeira experiência em televisão e está a ser engraçado porque no Conservatório [Escola Superior de Teatro e Cinema] existe um preconceito com quem faz televisão. É-nos educado que teatro é bom, cinema é bom e televisão é mau e só lá vais para ganhar dinheiro. Mas esta experiência tem sido interessante para perceber que é possível haver qualidade na "fábrica". O que tenho notado é que há um grau de qualidade e não é tão mau como dizem. É bom.

 

Esquecendo esse preconceito, como é que está a ser a experiência?

Está a ser bom porque se aprende. Aprende-se como é que aquilo funciona, aprende-se a fazer trabalho de ator para televisão, porque é uma linguagem diferente. Eu como contraceno muito com o Diogo Morgado e com a Joana de Verona, estamos a preparar as cenas e eu fico a ver como é que eles se preparam. É muito rápido. Mas é muito bom. Está a ser muito bom, porque tenho aprendido muito enquanto ator e também aprendo tudo o que envolve, em termos logísticos, uma produção de uma novela. É próximo de fazer publicidade, mas com diferenças. E é totalmente diferente de fazer cinema.

 

O que é que tens aprendido?

Aprendo muito com a contracena. Aprende-se a fazer aquilo bem, sem filtros, sem montagens, sem nada. É só ficar a observar como é que aqueles atores chegam, vestem-se, preparam-se e um minuto antes de começarmos, há ali um momento de concentração máximo que é o suficiente para que a cena corra bem. A Joana pede à equipa um minuto, fica ali calada durante um bocadinho e diz "okay". E, do nada, está feita a cena ao primeiro take.

 

Resumindo: o que dizes é que existe um preconceito em relação à televisão e que tu, mesmo estando na fase final do Conservatório, continuas a aprender.

Sim, é isso mesmo.

 

E que personagem é aquela que tens na novela?

A minha personagem é o "Jadson" que é brasileiro e que vive na fazenda do "Zé Maria", que é a personagem do Diogo. Basicamente sou o caseiro dele, faço tudo o que ele manda.

 

E como é que têm sido as gravações?

Agora têm sido mais tranquilas. Ao início gravei mais dias, mas agora está mais calmo. Como faço parte do elenco adicional, só entro quando eles precisam.

 

Já conhecias o Diogo Morgado e a Joana de Verona?

São grandes atores. O Diogo é muito mais do que uma cara bonita, ele tem muita experiência. Eles são pesados, são muito fortes.

 

E, ao nível da contracena, isso é bom para ti?

É ótimo, porque tenho de chegar ao nível deles. A minha resposta tem de estar à altura deles. Eles puxam por mim, estão-me a ensinar, mesmo sem saberem, e isso é muito fixe.

 

Entretanto, no teu ainda curto percurso, já tiveste experiências em publicidade. Como é que foram essas experiências?

Fiz um anúncio para a Bang & Olufsen e fiz uma promoção institucional para a câmara de Faro. Foram as duas experiências muito exigentes. Fiquei doente nas duas porque era pleno inverno e numa estive quatro horas a correr sob uma chuva torrencial, noutra tive de andar de fato de banho em pleno dezembro... Mas foi bom.

 

Estás também no Conservatório. Como é que está a ser?

O terceiro ano é muito mais leve do que o primeiro e o segundo, em que temos todos os dias ocupados com uma carga horária grande e com muitas exigências. Temos uma tarde livre, no máximo. Mas agora, no terceiro ano, tenho muito mais espaço para fazer o que eu quero e pegar nas pessoas que quero e fazer projetos. Tenho menos aulas, mas as que tenho são muito melhores, vamos mais diretos ao assunto.

 

E consegues conciliar com as gravações?

Sim, além da novela e do Conservatório [Escola Superior de Teatro e Cinema], também trabalho à noite. Por isso ando sempre a correr, mas é bom. Vão-se fazendo umas quantas diretas e temos de aguentar se é o que realmente queremos.

 

E é o que tu realmente queres?

É. Já fiz imensa coisa, já tive vários trabalhos...

 

Pergunto de novo: é o que realmente queres?

É, sem dúvida. Eu gosto desta confusão. É muito cansativo, vês pouco as pessoas que gostas, mas é o que eu quero. É isto que faz mexer qualquer coisa dentro de mim.

 

Quando é que percebeste que era isso que "mexia"?

Quando me estreei profissionalmente. Porque eu já fazia teatro amador desde os 15 anos, na Amadora, e era a brincar. Eu pensava que queria seguir design de produto. Sempre desenhei e desenhava bem... Hoje já não é bem assim, mas pronto. Entretanto ia fazendo uns castings e apercebi-me que isso se sobrepunha sempre ao design. Um dia respondi a um anúncio para uma produção profissional. Estava muito nervoso, sem saber se havia texto, sem saber nada. Fiz alguma pesquisa, cheguei lá, pediram-me para ler um texto, eu li. Depois pediram-me para ler o texto estando todo nu. E eu fiz. Saí de lá a pensar que nunca me iam chamar, mas chamaram e calhou-me a Paula Sá como madrinha de palco. E foi ótimo. Eu não sabia nada e ela foi fantástica, ajudou-me imenso. Foi tudo muito cansativo, emagreci muito, dormi pouco, comi pouco... Mas quando acabou, eu percebi - porque não foi uma escolha - que não ia conseguir deixar aquilo. Estava num café em Oeiras e percebi que tinha de fazer formação porque já não dava para largar aquilo e que me estava a iludir com a história de seguir design. Chorei muito porque percebi que não ia ser fácil, mas isso é bom.

 

 

 

Tendo em conta as experiências que já tiveste e que estás a ter neste momento, diz-nos: o que é que gostavas que acontecesse a seguir?

(longa pausa) Estou indeciso entre duas. Eu gostava de ir aprender para o Brasil, porque acho que o nível de formação que há no Brasil nos ultrapassa. A outra coisa que gostava de fazer era uma longa-metragem...

 

Alguma em particular? Já há argumento e algo na manga ou é mesmo só ter a experiência de fazer um filme?

Só mesmo a experiência. Gostava de trabalhar com um bom realizador. Já fiz curtas, mas é diferente de fazer uma longa. A qualidade pode ser a mesma, mas a dimensão que aquilo passa a ter na tua vida - quer seja como espectador ou como profissional - é diferente... Se fosse uma longa-metragem no Brasil, era o sonho!

 

Posto isto, quem é o Rúben Pêro?

(risos) Quem é o Rúben Pêro?

 

Isso... quem és tu?

Às vezes quando estou sozinho a arrumar o quarto penso nisto e acho que consigo resumir isso dizendo que, apesar de a vida nem sempre me ter sido fácil, eu transbordo de gratidão. Juro. Se eu morresse agora, estava bem. Porém, contudo, quero muito mais! Uma vida não chega, 24 horas não chegam e eu quero muito mais! A vida não anda atrás de ti, és tu que andas atrás da vida, se não entras na corrida, a vida não te vai lá chamar.

 

E tu, com 23 anos, já percebeste isso?

Claro que sim, isto não para! 

 

Agradecimentos: Village Underground Lisboa

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

 

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